terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Um Mundo sem Heróis

Assim é o mundo que conheço, um lugar sem cores, sem alegria, sem histórias e sem esperanças. Nasci na cidade de Melkar, filho de Dathos e Tanna. Minha mãe era uma mulher de força e brilho incomuns, que foram embora ao me parir, junto de sua vida. Meu pai certa vez me disse que tudo isso passou a morar em mim, que minha mãe não morreu, mas passou o fogo de sua vida para mim, para que desta forma eu brilhasse como um farol num mundo de sombras. Nesta criança o viúvo passou a depositar todas suas esperanças.

Dathos era um escrivão a serviço de Tavres, e me ensinou a ler e escrever quando eu tinha seis anos, para que pudesse ajudá-lo. Nossa vida parecia mais fácil que a dos nosso vizinhos. Em termos materiais eu digo, pois nunca faltava comida, água ou remédios, afinal meu pai era um funcionário da coroa. Ele me dizia que as coisas nem sempre foram deste jeito, mas também nunca me disse como seria o outro; disse que fora um poeta, que tinha histórias para me contar e uma arte para me ensinar, todas coisas cujo significado eu podia apenas vislumbrar um borrão. O que ele me ensinou, além das letras, foi o que era um violão e meia dúzia de acordes - os outros eu tive que descobrir sozinho. O tempo passou até que ele levasse todos os seus legados para o túmulo, sem compartilhar nenhum deles comigo, exceto sua calça azul e seu antigo instrumento.

Poucos dias depois chegou em casa uma carta endereçada ao meu pai, envida por Fernand Dumèr. Era um convite para que ambos saíssem sair pelo mundo, levando a música e desenterrando velhas histórias do mundo, e contá-las para as pessoas. O remetente era um artesão de Tikal, e dizia que, como já já estava no crepúsculo de sua vida, gostaria de gastar seus últimos anos viajando e levando seu tesouro para as pessoas, e não perecer fabricando selas, arreios e cabrestos para os lagartos dos besouros. Me pareceu um sonho de um ancião que começa a delirar ao avistar a morte no horizonte, e me perguntei: Então isso que é um sonho? Pois então irei sonhar junto com ele! O velho escrivão já não podia podia atender o chamado, mas eu o faria, pois aquela cidade já não era mais para mim, e muito menos o cargo herdado de meu pai...

Parti em viagem logo atrás de uma caravana de besouros, para evitar os imprevistos dos Cerrados dos Lagartos[ESCOLHER OUTRO NOME] e, ao chegar em Tikal, comecei a notar novas cores, que surgiam na medida que eu caminhava. Pensei que era aquilo que queria dizer a palavra delírio, e resolvi me entregar, tomando aquilo por um sinal de que algo iria acontecer, de que o mundo estava para mudar...

Ainda entregue ao meu devaneio avistei uma figura estranha, no canto da estrada. Um homem diferente das tantas pessoas que eu já vira antes. Ele acampava próximo à estrada que chegava pelo norte da cidadela mineradora, e nele notei um vigor no olhar e uma nobreza no seu porte, coisas novas para mim. Sua fronte encarava a caravana dos besouros e nenhum destes ousou retribuir o olhar. Resolvi me aproximar e indagar quem era o tão peculiar sujeito. Seu nome era Rasputin Delarose, e disse ser um andarilho da região. Nos separamos logo depois, já que ambos tínhamos afazeres na cidade. Chegando na casa de Fernand me escondi, ao ver que ela estava cercada por seis besouros, juntos de um cadáver, que jazia decapitado em frente a porta de entrada, de onde um rio de sangue surgia. Era um vermelho que eu nunca havia visto antes. Um homem louro, trajando uma couraça vermelha, jogou dentro da habitação uma folha de papel, e pediu para que seus subordinados ateassem fogo. Como que atendendo um chamado de socorro, entrei velozmente pela janela, peguei o papel antes que as chamas sequer o amarelassem e ouvi uma confusão lá fora. Ao fitar as letras fui tomado por um desejo de tocar meu instrumento, algo que nunca fizera com sucesso, e assim foi. Entoei a canção de Fernand, que era mais ou menos assim:

A WORLD WITHOUT HEROES

A world without heroes
Is like a world without sun
You can't look up to anyone
Without heroes
And a world without heroes
Is like a never ending race
Is like a time without a place
A pointless thing devoid of grace

Well you don't know what you're after
Or if something's after you
And you don't know why you don't know
In a world without heroes

In a world without dreams
Things are no more than they seem
And a world without heroes
Is like a bird without wings
Or a bell that never rings
such a sad and useless thing

Well you don't know what you're after
Or if something's after you
Well you don't know why you don't know

And a world without heroes
Is nothing to be
It's no place for me.

O que aconteceu naquela hora eu não sei explicar, mas a cidade inteira parou para ouvir, inclusive os besouros e seu líder, que estava pronto para enfrentar outras três figuras, dentre elas o andarilho Delarose. Disse à eles que montassem os lagartos e que fugissem logo, mas que eu levaria àquela canção até o fim, e os encontraria na entrada da cidade, no local do primeiro encontro com Rasputin. E assim começou nossa viagem...

2 comentários:

Anônimo disse...

Li o post enquanto ouvia "Once Upon a Time in the West" ... Combinou muito, e foi sem querer! ehehehe

cade as outras postagens??

Ryokuro disse...

cara vou falar a verdade eu curti muito até onde eu li pois naum tive coragem pra ler tudo mas parabéms!^^ e cara tem q ser corajoso pra escrever isso tudo!Õo