A tradição guerreira sempre foi menos arraigada nesta região, ao contrário do resto da Procelária. Aqui os homens se voltavam menos para a guerra e mais para o comércio, não sendo raro pessoas de fala mansa, capazes vender toda sorte de desnecessariedades. Sinlair era para o Vale das Lanças a porta de entrada de curiosas mercadorias vindas do sul. Dos fabulosos instrumentos de corda de Rhian até o reluzente mármore do Deserto Vermelho, tudo chegava por aqui, exceção feita talvez pela rota comercial dos anões, entre Dol Kuzdul e Duorundur.
Um pouco menos que um rei e um pouco mais que duque, Edric Lieusing era o governante local na época em que a Feiticeira Negra já havia espalhado seu poder por todo o Vale das Lanças, e só restava consolidar as fronteiras. Sinlair estava no caminho. Sabendo o ocorrera com os outros reinos humanos que se oporam às sombras e consciente do fraco poderio bélico do que dispunha, Edric resolveu fugir para a distante Driath, uma poderosa cidade independente além dos limites da Procelária, levando junto seus dois filhos e esposa, e deixando seu povo à mercê da deusa tirana. Durante a viagem ele e seu primogênito, Martin, foram pegos pelos cavaleiros dragões de Tavres, sendo que só Anna e Morien alcançaram seu destino.
Anna casou-se com um fazendeiro local enquanto seu filho crescia num ambiente semelhante ao que nascera, tanto na riqueza quanto nas trapaças, e acabou por se tornar um influente comerciante. Alcançada a meia-idade, aos 43 anos, teve um sonho com seu pai, em que este agonizava, implorando ao vazio por clemência, e ditas palavras que Morien não pôde compreender, suas entranhas se transformavam em algo sombrio, a serviço de um poder profano. Querendo respostas o nobre sem terras decidiu voltar à Sinlair, e partiu dizendo ir tratar de negócios numa terra à oeste do Mar das Lágrimas, com os anões. Contratou um grupo de mercenários para escoltá-lo, e entre estes destacavam-se o ex-oficial da guarda local, Samuel Troy, um arruaceiro com mãos lépidas, Marcus Clover e a misteriosa Adelaide, uma bela elfa que há muita não vivia na terras encantadas de seu povo.
A viagem foi cheia de surpresas e não foram poucos os encontros com besouros e outras bestas que agora corriam livres pelas planícies da Procelária, que levaram pouco a pouco vidas da escolta. Laços de amizade e amor se formaram, aproximando Morien de Adelaide de forma que seu destino seria estarem juntos até o último momento, conforme pudemos presenciar. Samuel também ensinou seu empregador a empunhar armas, e assim um pôde confiar a vida ao outro. Chegando à Kundrur, entreposto anão que fora o destino combinado a princípio, Morien revelou o real destino da viagem e Marcus, que demonstrara desacordo com o empregador muitas vezes durante a viagem exigiu receber seu pagamento ali e partiu, abandonando seus companheiros e levando junto o que restou do grupo. Agora apenas haviam apenas três companheiros, mas já estavam próximos de seu destino.
Na cidade de Lorted,onde pegariam um navio para cruzar o Mar das Lágrimas, um grupo de guardas de Tavres liderado por Leonardo os emboscou no barco, e vendo que a fuga era impossível sem que um dos três morresse, Morien se entregou, pedindo apenas que seus companheiros fossem libertos, pedido que foi atendido pelo General Rubro. A elfa estava grávida e seu amado sabia disso, e pediu que Samuel a levasse de volta para Driath.
Adelaide deu a luz ainda durante a viagem e pediu que Samuel levasse seu filho Andrew à Güiltan, em Alestris, pois ela mergulharia nas sombras atrás de Morien...
Essa é a história do último governante de Sinlair e seu descendente.